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Frequência Modulada

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Ouça Goela Abaixo, o novo trabalho de Liniker e os Caramelows

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2026-03-20T19:22:01

26/03/2019 22h01

Semana passada saiu o segundo álbum entitulado Goela Abaixo da cantora do interior paulista Liniker junto da banda Caramelows, fortificando o que nos faz falta: afeto

 

 

Acostumamos a constatar nas conversas entre amigos que gostam de fato de música, que dificilmente novos talentos conseguem manter uma curva criativa ascendente após o primeiro álbum de estreia; são novos desafios, uma possível nova temática a mostrar ao público, um aumento significativo na base de fãs. Mostrando de fato que o difícil é bem diferente no impossível, a paulista de 23 anos Liniker lançou na semana passada o álbum Goela Abaixo, em um momento tão singular de sua carreira, com uma agenda dentro e fora do Brasil bem movimentada e o melhor: mostrando que as cartas na manga estão esperando o momento certo.

Para colocar todo mundo na mesma página: Liniker nasceu em Araraquara em uma família de artistas, o que de fato deu um tom interessante a sua formação, em um cenário onde ao mesmo tempo que tem conexão com esse começo foi ele próprio que projetou sua vontade de galgar passos maiores. Fazia teatro quando adolescente e, em uma reunião de amigos decidiu gravar algumas músicas para um EP, de nome Cru. Corta a cena. Pula para 5 milhões de visualizações em uma semana e uma mudança para a capital prometendo mais capítulos nessa nova fase de carreira.

Logo tratou de lançar seu primeiro álbum, Remonta em 2016 e vieram os convites internacionais como os palcos do festival SXSW em Austin no Texas (inclusive esse ano enquanto estivemos por lá, as pessoas guardam ótimas lembranças do show dela) e a participação no sonho de consumo do músico de hoje, o Tiny Desk da americana NPR. Trajetória bonita para uma cantora, não? Achamos mais bonita ainda, quando essa cantora é uma mulher negra e trans.

 

 

Goela Abaixo: tudo sobre afeto

Nesse segundo trabalho, o tema urgentíssimo na vida das pessoas que perambulam pelas cidades é com certeza o afeto. Estamos em um momento de novo aprendizado de como tratar bem: aos outros, aos próximos, aos parceiros e a nós mesmos. A evolução das fases nas relações é muito bem mostrada na faixa de introdução "Brechoque", onde a metáfora do coração em uma estante de brechó vai bem de encontro com a fluidez perigosa dada ao amor atualmente e uma delicada sequela vivida principalmente pelas mulheres negras, que é a descrença na romantização das relações.

Com tudo isso, a proposta de crença na intimidade está muito presente em "De ontem", onde uma rotina de começo de relação é contada para justamente alimentar nossa imaginação. É ouvir e lembrar de como seu atual ou antigo relacionamento começou. E não segurar um tímido sorriso com as boas lembranças. Na faixa "Boca" com participação da talentosíssima Mahmundi, a conexão entre pessoas que alimentam essa intimidade (em um sentido mais energético que transcende o corpóreo por bem dizer) é muito mostrada na frase "eu não vejo a hora do dia amanhecer pra sentir o cheiro que vem de você"; O afeto tem que ser levado tão a sério, que em "Textão" encontramos um dos recados mais verdadeiros e viscerais da obra: "Não se trepa em 15 minutos". O mantra de "Amarela Paixão" então, não nos deixa esquecer o porquê amar de verdade, com respeito, liberdade é tão importante:

 

Amar é, me somar para depois ser o que eu quiser

 

São 13 faixas que vão te colocar pra pensar sobre o que é externizar um carinho presente em todos nós, que prontos ou não, mentalmente livres ou não, estamos aptos para aplicar. Estamos inseguros se vale a pena, se vamos receber em troca mas, convidamos vocês a de fato, se prontificarem a viver o amor; livre de rótulos, protocolos ou moldes apresentados a todos nós durante nossas vidas. O trabalho é lindo e vai te ajudar de verdade.

E sim! Fiquem espertos na agenda de shows. Nos veremos em algum deles!

Sobre os autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.