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Frequência Modulada

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Detroit: o verdadeiro berço do techno em um lindo documentário

Frequência Modulada

04/12/2018 19h05

Pensando em cenários ricos musicalmente, a cidade de Detroit nos deu uma infinidade de grandes artistas. Claro que, dentro de nosso habitat natural do hip hop pensamentos automaticamente em nomes como Slum Village e a obra dos irmãos Yancey (J Dilla e Illa J) mas, ainda temos uma contribuição ainda maior para cenário, mercado e qualidade: o techno.

Sim, esse techno tido como música de nicho e a trilha para a massa clubber dos anos 90, que bebia da música eletrônica feita na Europa. Precisamos dar uns passos atrás e entender essa história direito. 

E nada melhor que ouvir por quem respirou isso de perto: produzido pela Detroit Sound Project o documentário God Said Give 'em Drum Machines, que contará a parte mais crua (e real) dessa história. 

Pelo final dos anos 70, numa Detroit que já sofria impactos socioecônomicos após os movimentos civis, falta de emprego e violência policial, garotos negros de toda região metropolitana procuravam diversas formas de se divertir em conjunto. Meio melhor? A música. E, podemos afirmar uma mistura ritmica riquíssima. Juntando as influências já conhecidas do eletro-pop do Kraftwerk e Yellow Magic Orchestra, mas incluindo aqui as talvez mais importantes – da disco music (óbvio), e da até hoje indefinível P-Funk (funk music produzida pelas bandas Parliament e Funkadelic, tendo o monstro George Clinton como intersecção). Todos respiravam e consumiam isso, alguns deles mais. Dentre os mais ferrenhos, podemos destacar Juan Atkins, Derrick May, Kevin Saunderson, Blake Baxter, Eddie Fowlkes, and Santonio Echols. 

Como todo mercado musical, relacionamentos são sacramentados e infelizmente, prejudicados assim que o dinheiro e status batem à porta. Muitas coisas mudaram desde então, o a movimentação financeira no mercado do techno já passou da cifra dos US$ 7bi vira seus holofotes para o que é produzido essencialmente na Europa mas mesmo assim essa referência e pioneirismo negro ainda tem seus representantes: Djs "crias da terra" como Ricky Willhite e Marcellus Pittman (que já visitaram o Brasil, representativos também na house music) e Kenny "Moodyman" Dixon Jr. (que estará por aqui em janeiro), e os nomes bem fortes como Carl Cox, Honey Dijon e Black Coffee. Como sequela, o distanciamento das comunidades negras da música eletrônica tampou cada vez mais o senso de pertencimento e, a torcemos para que a recente mistura das danças africanas aos ritmos eletrônicos recuperem uma boa parcela desse público; até para nós que temos o exercício da pesquisa, foi surpreendente uns anos atrás esse fato de, as bases da música eletrônica serem tão negras quanto o rap, por exemplo.

Dentro do cenário brasileiro, o exercício de reconhecimento das origens negras da música eletrônica por exemplo com a Coletividade Námíbià e, humilde e respeitosamente por esse coletivo que vos fala semanalmente (aqui, aqui e aqui também).

Importante lembrar: os produtores desse importante documento finalizaram um processo de financiamento coletivo para operar o projeto mas, se você gosta de música e se interessa em colaborar, eles continuam aceitando doações via PayPal pelo site e Instagram

MAL PODEMOS ESPERAR. 

Sobre os autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.