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Conheça o Projeto Rap em Quadrinhos

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13/02/2019 00h43

Nem todo herói usa capa – alguns com papel e caneta salvaram muitas vidas com suas rimas. Com a junção dos heróis das histórias em quadrinhos e MCs do rap brasileiro, uma série incrível de ilustrações.

 

*Contém leves spoilers de Vingadores – O Filme e Vingadores: Guerra Infinita (mas você já deve ter assistido)

 

Os criadores do Projeto Rap em Quadrinhos, Løad (esq.) e Loud (dir.)

A ideia em unir estes dois mundos surgiu em conversas de dois fãs dessas duas formas de arte: o Youtuber Gil Santos (Løad) e o designer e ilustrador Wagner Loud. Mesmo os dois já inseridos bem nos dois universos (Løad já fala muito do universo das HQs e Loud já tem um trabalho anterior consolidado quase na mesma temática com artistas renomados da cena do punk rock), a relação entre os dois universos já nasceu pronta e completamente correlata, olha isso:

 

Uma única linguagem

Atualmente até quem nunca foi muito ligado em sagas dos heróis criou certa simpatia. Claro que o cinema deu uma bela colaborada com a popularização, sequenciando histórias por mais de 10 anos, frutos das parcerias da Marvel Comics com os estúdios Disney (Vingadores), Fox (X-Men) e Sony (Homem Aranha). A pauta, originalmente do universo nerd atravessou por absolutamente todas as partes da cultura pop e hoje chega na sua timeline minutos depois de qualquer publicação.

Na migração e expansão do universo das HQs, existiu obviamente um objetivo de desmistificação e humanização dos dramas vividos pelos heróis. As constantes batalhas internas dentre os Vingadores (igualmente nas trilogias de Homem de Ferro, Thor e Capitão América e em Vingadores – O Filme) e uma alusão às correntes de pensamento e teorias da conspiração de que, no planeta Terra deveria se repensar a quantidade de pessoas que vivem nela (vontade suprema do titã Thanos, em meio à saga de Vingadores: Guerra Infinita e suas futuras sequências).

 

Um outro ponto importante também é a saga X-Men, que vive cheia de diferentes teorias a respeito das alusões que faz e, uma das mais comentadas é que nos anos 50 e 60, ano dos se sua expansão nos quadrinhos impressos, quis na verdade falar do surgimento dos mutantes quando queria acordar as populações sobre a ascensão das comunidades negras americanas como geradoras de renda e consumo, os movimentos civis e sobre os dois líderes Professor Charles Xavier, que acreditava na coexistência pacífica com os humanos e Magneto, que levado pelo ódio do extermínio e sua raça queria dizimá-los utilizado de um poder ainda não exposto, na verdade são representações das correntes filosóficas de igualdade racial propostas por, Dr. Martin Luther King e Malcolm X  (já parou pra pensar??)

Mas tudo isso pra dizer que: mesmo dentro de uma ficção, os quadrinhos contam a histórias de toda sociedade em suas desigualdades, propondo sempre lutas em prol da justiça. E o rap, inegavelmente nasceu no mesmo intuito.

 

Pantera Negra: A cartada final de conexão com o rap

Dirigido por Ryan Coogler, Pantera Negra é o primeiro filme de super-herói estrelado por uma liderança negra (Chadwick Boseman) e aborda questões de isolacionismo, identidade africana e geopolítica, enquanto "lida com a realeza de uma forma muito diferente da que vimos antes", diz Kevin Feige, presidente da Marvel Studios. Ele tem sido amplamente aceito pelos críticos e fãs não apenas por seus efeitos legais, mas por criar uma história sobre personagens negros fortes e importantes que não dependem das já gastas pautas como pobreza e escravidão que Hollywood utiliza para falar de comunidades africanas e afro-diaspóricas.

E pergunto novamente: quem levanta o poder de consumo e decisão das comunidades de descendência africana no Brasil e o no mundo todo? O rap inegavelmente, evoluiu e caminha no mesmo intuito.

 

Com tudo dentro do contexto, falemos de nossos heróis

Trocando a capa por papel e caneta, o rap nacional dentro de suas várias fases levanta bandeiras e elege representantes das pautas como heróis. O trabalho de Løad e Loud em Rap em Quadrinhos traça um paralelo do discurso de cada MC e a temática de cada herói eleito para representá-los – facilmente percebidos na agilidade, rapidez de raciocínio e o peso de "um grande poder vem junto de uma grande responsabilidade" que Emicida e Homem Aranha dividem, no sentimento de renovação e papel da jovem mulher negra hoje e no futuro igualmente sentidos por Riri Williams ou Ironheart (ou, a sucessora da armadura do Homem de Ferro) e Drik Barbosa, e uma visão ampla e uma mensagem bem muito mais poderosa nas entrelinhas, dita tanto por Doutor Estranho, como Black Alien. E claro reis que mesmo com uma liderança natural, ainda acreditam no espírito do coletivo – como Pantera Nega e Mano Brown.

 

 

 

Mesmo dentro de uma ficção, os quadrinhos contam a histórias de toda sociedade em suas desigualdades, propondo sempre lutas em prol da justiça. E o rap, inegavelmente nasceu no mesmo intuito.

O projeto teve uma primeira tiragem em agosto de 2018, sendo lançado oficialmente em um evento A primeira parte do projeto contou com uma exposição na Central Panelaço, loja do João Gordo no Bixiga (região central de São Paulo), e também houve um evento na Virada Nerd no MIS e uma palestra na CCXP o estande da Panini. Nas redes dos caras já pra ver a segunda parte do trabalho, que tem combinações ainda mais incríveis de heróis e MCs. Acompanhem nas redes a evolução desse trabalho e, falaremos na conclusão dessa nova fase nós falaremos mais sobre. Parabéns a Løad e Loud, continuem que contaremos os passos de vocês por aqui.

 

 

 

Sobre os autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.