Frequência Modulada

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Soul Music de fora dos EUA? É de qualidade e faz barulho!

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24/05/2018 08h34

Os Anos 90 ficou conhecido conhecido como a “Golden Era” do Hip Hop, assim como para o R&B também. Na segunda metade dos anos 90, nomes como D’Angelo, Erykah Badu, Maxwell e Angie Stone, traziam uma nova perspectiva para o gênero; uma sonoridade a ser rotulada não só como R&B apenas – tinha muito do rap, do jazz e da soul music clássica. Nascia ali o gênero Neo Soul, influenciando o surgimento de novos artistas fora do eixo norte-americano, tais como: Lynden David Hall , Omar , Des’ree e Eternal , todos do Reino Unido.

No começo dos anos 2000 as mulheres roubaram a cena por lá, como o duo Floetry formado pelas divas Natalie Stewart “The Floacist” e Marsha Ambrosius “The Songstress”, que compôs a linda canção “Butterflies“, que foi gravada pelo nosso eterno rei do pop Michael Jackson do álbum Invincible de 2001, na qual ela também fez os backing vocals (começar assim…!). Temos Terri Walker, britânica que cresceu na Alemanha ganha espaço também com o disco “Untitled”, que conta com a participação de Mos Def na faixa “Guess you didn’t love me“, no interlúdio “Deuschtland” ela mostra o seu alemão fluente e seu amor pelo país onde cresceu.

Continuando ali no inicio dos 2000, surgiu também um dos maiores fenômenos musicais dos últimos tempos, Amy Winehouse, lançava o seu primeiro álbum “Frank” em 2003, que conta com produções de Salaam Remi, incluindo “In My Bed” bastante conhecido na cena hip hop pois é o mesmo beat que o Nas usou em  Made You Look no mesmo ano. Fora do cenário britânico, precisamente em Berlim surgia também a cantora Joy Denalane! em 2002 foi lançado o seu primeiro álbum: Mamani. destaque para as faixas: Geh Jetzt e Was auch immer . Em 2006 ela ganha mais visibilidade com o álbum “Born & Raised” que além de cantar canções em inglês, conta com grandes participações da cena hip-hop americana como: Raekwon na faixa, Heaven Or Hell e Lupe Fiasco na faixa Change , duas músicas que na pistas das festas de hip hop em São Paulo – pegavam fogo quando tocava!

 

Entendendo que a América não é o único polo ao falarmos de soul music e suas vertentes, vamos citar 4 que não são da terra do Tio Sam que talvez você não tenha conhecido e vale muito a pena!

1 – Hiatus Kayote: Liderada pela vocalista Nai Palm , banda australiana, da cidade de Melbourne. Lançaram de forma independente o primeiro álbum em 2012, Tawk Tomahawk. A banda ganhou grande repercussão após um tweet do cantor Prince, contendo a frase “Não se preocupe… apenas clique” e um link redirecionando para a página do videoclipe da música “Nakamarra“. Em Maio de  2015 lançam seu segundo disco, o “Choose Your Weapons“, destaque para as faixas “Breathing Underwater“, que ganhou indicação ao Grammy na categoria Melhor Performance de R&B, e “Molasses“, canção mais tarde viria se tornar sampler de um som de Anderson Paak “Without You“, produzida pelo mestre jedi 9th Wonder e conta com a participação de Rapsody.

O trabalho mais recente da banda é o “Recalibrations Vol. 1” Um EP que conta com 4 remixes, 2 de cada álbum lançado até então. “Laputa“, que conta com a participação de Anderson Paak, remix feito por Taylor McFerrin.

Curiosidade: Nai Palm explicando o nome da banda. “Kaiyote” não é uma palavra. É uma palavra inventada, mas que soa parecido com peiote e coiote – é uma palavra que envolve a criatividade de quem escuta, e também como percebem. Então isso te lembra coisas, mas nada específico. Quando eu olhei para essa conexão foi como a sociedade admirando um pássaro pelo mundo todo, para mim foi um grande presságio, porque eu sou uma “lady pássaro”. Um hiato é essencialmente uma pausa, é um momento no tempo. Então, para mim, um hiato é tomar uma pausa na sua vida para aproveitar o seu redor, ter uma visão panorâmica completa de suas experiências e absorver, e “kaiyote” é expressada de uma maneira que envolve a criatividade do ouvinte.”

 

2 – Jorja Smith:  Jovem de apenas 20 anos quem fazendo um barulho estrondoso na cena! Nascida em Walsall na Inglaterra, Jorja Smith lançou inúmeros singles e um EP chamado “Project 11” em 2016. Em 2017, ela colaborou em 2 faixas do álbum More Life de Drake, na faixa de incrível astral house music de “Get It Together“, que é um cover da musica “Superman” do produtor Black Coffee, as únicas coisas que são diferentes é o refrão e a estrutura da música, confesso que curto mais a do Drake com a voz da Jorja, rs. Em junho do mesmo ano, Jorja Smith assina mais feat, desta vez com a cantora Kali Uchis na música “Tyrant“, prato cheio pra quem curte um reggae/dancehall. Este ano ela vai lançar seu primeiro álbum solo: Lost & Found, o primeiro single foi o da música “Blue Lights“. É possível enxergar em sua voz e estilo musical, um mix de Amy Winehouse e Rihanna, o que acredito ser uma coisa boa, porque agrada muita gente, tem potencial pro mercado pop e o mais importante: identidade, pode até lembrar essas 2 artistas citadas, mas não há nada parecido com ela.

 

3 – FKJ (French Kiwi Juice): Vincent Fenton, o multi-instrumentista que vulgo FKJ nasceu na cidade de Tours, França e no auge dos seus 27 anos já apresenta um trabalho com identidade própria e sem rótulos. Em 2013 ele lançou seu primeiro EP, “Time For A Change“, inteiramente instrumental. No ano seguinte ele lança o seu segundo EP, “Take Off“, que conta com a participação de nomes como: Damon Trueitt, Jordan Rakei e Madelyn Grant.

Em Fevereiro de 2016 em Tokyo, durante sua passagem por lá ele fez uma visita aos estusios da Red Bull onde sem pretensões alguma ele gravou uma jam totalmente improvisada, usando sintetizadores, controladoras e instrumentos musicais do qual é visível o dominio e intimidade para com todos eles, veja aqui. Em junho do mesmo ano ele repete a dose, só que desta vez no Red Bull Studios de Amsterdam com a participação da cantora June Marieezy, que rendeu a canção “Amsterjam“. No fim do ano 2016 ele solta mais uma pedrada, dessa vez ao lado de Tom Misch no Red Bull Studios de Berlin, confira a música “Losing My Way“.

Enfim em março de 2017 ele lança seu primeiro disco solo, “French Kiwi Juice”, que esbanja muito soul, jazz, R&B, neo soul, hip hop e também musica eletrônica, destaque pra faixa “Better Give U Up“. FKJ continua a série de sessions nos studios da Red Bull ao redor do mundo nos paises por onde passa, os 2 ultimos lançados foram em Paris, com o músico Masego, que resultou na faixa “Tadow“, e em Los Angeles com o produtor Pomo que resultou na faixa “Lucky Star” , quem sabe a gente não tem a honra de ver o suco de kiwi francês fazendo uma jam com algum artista brasileiro num futuro próximo hein? Oremos!

 

 

4 – Jordan Rakei:  Com um punhado de lançamentos altamente elogiados no colo e um som soulful, jazz e hip-hop’ aos 25 anos o multi-instrumentista, vocalista e produtor Jordan Rakei é um raro talento cuja arte transcende os limites da idade.

Jordan Rakei nasceu na Nova Zelândia, mais ainda criança mudou-se para Brisbane, Austrália onde passou grande parte de sua infância. em 2013 ele lança seu primeiro EP, “Franklin’s Room“. A voz de Jordan é puro soul, com referências aos grandes desse gênero, com o topo da lista Stevie Wonder. entre as várias influências presentes neste álbum também estão o reggae, o dub e o r&b, todos executados de forma impecável. Destaque para a faixa “Selfish“, que pra mim soa como a Master Blaster (Jammin’) do Tio Stevie, música que podia tranquilamente tocar em qualquer estação de rádio do mundo.
Em 2014 ele lança o segundo EP, “Groove Curse“, que ganhou um forte apoio da Europa e América do Norte, destaque para a faixa “Alright“, que acredito ser a que mais trás a essência do Neo Soul, e também referência ao pai da matéria D’Angelo nos tempos do disco Voodoo, na faixa “Untitled [How Does It Feel]“.

Jordan Rakei assinou também participação no disco do Duo de produtores Disclosure – Caracal em 2015 na musica “Masterpiece“.

Foi o álbum de estréia de Jordan, lançado em 2016, “Cloak”, que provou que ele era um artista pronto e capaz de fazer grandes ondas com seu som único. Recentemente contratado pela Ninja Tune, Jordan lançou seu segundo LP, “Wallflower”, em setembro de 2017. Atualmente, no meio de uma agenda lotada de turnês, com shows esgotados nos EUA, Ásia, Austrália, Reino Unido e Europa, Jordan Rakei é um nome que você vai ouvir muito mais.

 

Ufa! Acho que temos mais uma redação musical, sem rótulos e gênero específico, mas com uma certa: quando o assunto é groove e vem da alma, nossas Neo Souls se tornam uma só! Boa audição e boa leitura.

Sobre os Autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o Blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.

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