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SESC Santana receberá o mestre e herói da bateria Ivan Conti, o Mamão

Frequência Modulada

11/06/2019 16h51

São 50 anos prestados em nome da boa música e para que jovens adeptos do rap conhecessem melhor a música brasileira. Entenda o por quê.

 

 

A ótima notícia sobre o show de Ivan Conti aka Mamão, no próximo dia 20 de junho no SESC Santana (zona norte de SP), comemorando seu mais recente álbum, Poison Fruit seu quarto solo depois de 20 anos de lacuna, pelo selo britânico Far Out Recordings.

O que nos colocou pra lembrar do quão maravilhoso é descobrir, se conectar e se reconhcer em descobertas musicais. Em um Brasil que tem problemas em reconhecer e difundir seus artistas, esse jovem com mais de 50 anos de carreira é simplesmente imperecível.

Nos caminhos que a pesquisa musical nos leva, principalmente no rap, nos leva a determinado momento ouvir de tudo um pouco e, ironicamente nos traz de volta ao Brasil. Muitos dos DJs e beatmakers gringos que amamos vão falar de clássicos brasileiros que amam, como os sempre citados Jorge Ben, Marcos Valle e Eumir Deodato – e com certeza vão passar pelo Azymuth, e da batera do Mamão.

Ivan Miguel Conti Maranhão costumou sempre se colocar como operário da música, nos estúdios e em bandas de apoio de vários artistas como Erasmo Carlos, Tim Maia e Odair José, mas sempre enxergou novos caminhos de sonoridade. Tanto que, junto de dois amigos, José Roberto Bertrami e Alex Malheiros criou o que travou a cabeça de muito músico mundo afora quando o Azymuth, que nasceu dos experimentos desses três amigos entre uma gig e outra aos arredores do Canecão, famosa casa de shows no Rio de Janeiro dos anos 60, contextualizou o tal do samba doido: algo que não é samba, não é jazz, não é funk, não é bossa – mas é muito Brasil, muito do que nos colocou no mapa – a transformação de cada sonoridade e cada instrumento que um dia entrou em contato com nossa cultura.

E a geração de músicos brasileiros que compunham e flertaram com o hip hop, (salvo raras exceções, vamos combinar) conheceu esse trabalho fazendo o caminho inverso. Tendo a programação da MTV brasileira como sua primeira biblioteca musical, foi com bandas pesadíssimas de groove como Jamiroquai e Brand New Havies que pudemos entender que, tudo aquilo nos chamava a atenção principalmente por ter um dedo nosso.

E na metade dos anos 2000, sentimos o quanto tínhamos que aprender com nossa música, ao ver o apreço que caras do tamanho de Madlib e J Dilla o tinham com a obra do Azymuth e o talento de Ivan Conti; prova disso, o próprio Brasilintime – quem tava lá?

E a parceria dele com Madlib andou bastante depois disso, dando luz ao duo Jackson Conti, que contou com participações de outro monstro da batera, Karrien Riggins no divisor de águas Yesterday Univese, antigo Yesterday's New Quintet ou como gosto de lembrar, o jazz sujo da California que nos botou todos pra estudar.

Não perca o show de vista! Os ingressos começaram a vender hoje (11) pela internet (se já não encerraram até o fechamento desse texto) e amanhã (12) nas bilheterias da rede SESC. Salve o seu feriado!

 

SESC Santana
Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo – SP
Dia 20/06 às 18h.

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Sobre os autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.

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