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Frequência Modulada

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O Jogo dos Tronos na música pop

Frequência Modulada

12/07/2018 10h18

A música pode ser um verdadeiro presente em nossas vidas, ela inspira e o mais importante cria diálogos. Isso parecia estar perdido até que, em uma postagem na página do Facebook da Hot 97 (rádio de New York voltada para o Rap/Hip-Hop/R&B) foi proposta uma batalha "Quem é maior? Beyoncé ou Michael Jackson?". Alguns mash-ups (mistura do vocal de um artista com a instrumental do outro) dos dois foram levantados, com as canções Drunk in Love vs Black Or White, Diva vs P.Y.T e Lose My Breath (ainda Destiny's Child) vs Beat It, mas por causa de atenção e conteúdo a conversa sempre se estende. Com o debate atingindo um ponto muito alto e o pessoal do programa de rádio Ebro In The Morning criaram um suporte bem bacana para resolver de uma vez por todas essa questão Bey vs MJ. "Michael me ensinou que as vezes você tem que esquecer a técnica, esquecer o que você tem! Se você está se sentindo um bobo, você tem que ir de cabeça e apenas se deixar levar", disse Beyoncé no aniversário de cinco anos da morte de Michael Jackson. Ao longo de sua carreira, Bey se espelhou em MJ e nunca deixa de lembrar quem é sua maior referência. "Michael Jackson me mudou e ajudou a me tornar a artista que sou", acrescentou ela.

Ninguém comanda o palco como ela nos dias de hoje e seu poder é tão magnético que muitos citam ela como inspiração para suas próprias carreiras. No entanto, os dons superiores de Beyoncé não negam a influência óbvia e presente que Michael Jackson teve sobre ela como artista. Nem suas extraordinárias habilidades anulam o sucesso e talento indiscutível do Rei do Pop.

Vale lembrar: Beyoncé é tão incrível, que não podemos chamá-la de o "próximo Michael Jackson"! Criar divisões mesmo no sentido lúdico só mostra a fallta de respeito que temos pelas nossas lendas. É algo que vemos no hip-hop com muita frequência, o que só prova que o gênero não envelhecerá bem se continuarmos comparando maças com laranjas, pêras com abacates e figos com româs. Podemos apenas apreciar os talentos de alguém sem diminuir o sucesso dos outros que vieram antes deles. Ao longo de suas carreiras esses artistas só tentaram se superar.

Dois meses atrás, Chance The Rapper recebeu um doutorado da Dillard University e fez um discurso onde falou sobre o poder de influência e compartilhou sua opinião sobre Beyoncé superando Michael Jackson como melhor intérprete. Chance colocou ênfase em como a próxima geração terá Bey como uma forma de referência por causa de sua conexão com a música. Recursos visuais e presença sobre a cultura popular. Seu maior exemplo foi sua performance "Beychella" no Coachella Music Festival de 2018.

Se continuarmos a comparar artistas ou números que operam no mesmo calibre, vai parecer que essas lendas, seus titulos, seus sucessos pessoais vem com uma data de expiração. Se Michael Jackson, a inspiração de Beyoncé foi destronado como o maior artista de todos os tempos, então estamos dizendo que James Brown foi destronado quando Michael fez o Moonwalk? Louis Jordan foi destronado quando James Brown fez o que fez como cantor de Soul/R&B? Isso não acontece apenas na música, ocorre nos esportes também. Somos constantemente bombardeados com debates sobre Michael Jordan vs Lebron James, Pelé vs Maradona e outros. Só precisamos na verdade, parar com isso.

Embora seja ótimo ter conversas desse tipo com artistas criando sua própria, as comparações entre lendas aparentemente diminuem o trabalho que esses artistas e atletas fizeram ao longo do tempo.

Deixando bem claro, Beyoncé não é o Michael Jackson de sua geração, ela é a Beyoncé – por si só, espetacular! E o menino nascido em Gary, Indiana transformou a forma que discutimos sobre música. Nos entregou uma obra que ainda não entendemos. Nos faz repetir passos de danças nas festas de família, sem pensar.

Então, por favor deixem ela ser Yoncé e deixem o Michael fazer o seu Moonwalk tranquilinho no céu.

Sobre os autores

Fabio Lafa escreve textos, podcaster, pesquisador musical e consultor em music branding.

Nyack é Dj, pesquisador musical e beatmaker.

Juliano BigBoss é estudioso do marcado do rap, pesquisador, produtor artístico e executivo.

Sobre o blog

Papo semanal e bem descontraído sobre os ritmos que movem cidades. Dicas e mapeamento de cenários musicais - clássicos e emergentes, do analógico ao eletrônico.